Violência Doméstica: Ajudando pessoas a romperem o ciclo de violência

Violência Doméstica: Ajudando pessoas a romperem o ciclo de violência

15 de out. de 2021

Project Overview

Como utilizamos UX Design para entender o desafio de Violência Doméstica e incentivar as vítimas a denunciar o agressor.

Desde o começo do curso de UX Design, eu queria escolher um desafio que tivesse cunho social. Quando eu vi o desafio sobre Violência Doméstica, logo me identifiquei, pois eu também passei por isso. Então me juntei com 4 mulheres que também queriam fazer a diferença na vida de muitas pessoas, e escolhemos esse desafio:

Como incentivar mulheres vítimas de violência doméstica a denunciarem o agressor?


My Role

Neste projeto, atuei em todas as frentes, desde o discovery e research até a parte de UI e prototipação.


Design Process

Usamos as 5 etapas da metodologia do Design Thinking nesse projeto. As etapas do Design Thinking são:

  1. Empathize

  2. Define

  3. Ideate

  4. Prototype

  5. Test


Design Toolkit

Para a construção desse projeto, utilizamos o Figma, Miro e Maze.


O cenário atual

A violência doméstica no Brasil é comumente tratada como sinônimo de violência de gênero, sendo entendida como a violência conjugal que acomete mulheres e é praticada por seus parceiros ou ex-parceiros íntimos. Mas, homens, crianças e idosos também podem ser vítimas de violência doméstica.

Um estudo revelou que a cada sete minutos uma mulher é vítima de violência doméstica no Brasil e que mais de 70% da população feminina brasileira vai sofrer algum tipo de violência ao longo da sua vida. 1 em cada 4 mulheres relata ter sido vítima de violência psicológica ou física.

Uma pesquisa realizada pela ONU Mulheres e pelo Grupo Boticário, mostra que, mesmo hoje em dia, 95% das mulheres e 81% dos homens entrevistados concordam com a afirmação de que o machismo é predominante no Brasil.

E ainda mais, de acordo com o Instituto Datafolha e o FBSP, em 2019, 52% das mulheres que sofreram algum tipo de violência não tomaram nenhuma atitude com relação a isso.


Objetivo do projeto

Criar uma plataforma onde as vítimas de violência doméstica possam pedir ajuda, denunciar o agressor e ter mais orientações sobre o assunto. A plataforma também se destina para pessoas que queiram ajudar as vítimas, podendo assim se colocar a disposição.

Nosso produto foi criado para incentivar as vítimas a denunciarem o agressor e também conscientizá-las sobre os diversos tipos de violência doméstica.

Nós observamos que quando as mulheres não conhecem todos os tipos de violência domésticas que existem, elas ficam presas em um ‘ciclo de violência’ e não conseguem sair.

Como nós poderíamos ajudar essas vítimas a se conscientizarem mais sobre o assunto e assim conseguir se libertar do ciclo de violência?


Usuárias

Para este projeto, resolvemos focar em dois tipos de usuárias e então com base em nosso desk research, criamos as proto-personas, que foram validadas em nossas pesquisas.

Persona 1: Mulheres que moram com o parceiro, sabem que sofrem violência doméstica, mas não denunciam o agressor, pois, dependem dele financeiramente e também tem medo do que possa acontecer aos seus filhos.

Persona 2: Mulheres que sofrem violência doméstica, mas não sabem disso e acham que está tudo certo.


Perfil das Usuárias



Jornada das Usuárias

Elaboramos um mapa de jornada para nossas personas, para conseguirmos entender melhor seus pensamentos, sentimentos e ações mediante a situação abordada. Usamos como base as informações coletadas nas pesquisas. Assim poderemos enxergar possíveis soluções e oportunidades.




Pixar StoryTelling

Para ajudar os membros da equipe a entenderem a jornada da usuária, e também para que possíveis stakeholders possam compreender mais facilmente, escrevemos uma história, usando o Pixar Storytelling, de como seria uma situação real vivida pela usuária:


Primeira etapa de validação

Depois de várias conversas entre os membros do grupo, percebemos que o assunto é muito mais complexo do que parece, pois várias das tarefas dependem exclusivamente da usuária, desde o reconhecimento do problema até a ação de denúncia do agressor. Então, depois de organizarmos essas várias informações em proto-persona e jornada da usuária, começamos a trabalhar na etapa de validação.

Iniciamos com uma Matriz CSD, para organizar todas as informações que coletamos em certezas, suposições e dúvidas. Utilizamos também uma Matriz de Impacto x Conhecimento para priorizar e definir os pontos que valeriam mais a pena pesquisar, pois sabíamos que exigiria um alto esforço pesquisar tantos aspectos:



Pesquisa Quantitativa

Precisávamos validar nossas suposições sobre a usuária, então, fizemos reuniões com os membros do grupo para definir o objetivo da pesquisa.

Após termos os objetivos claros, iniciamos com nosso plano de pesquisa quantitativa, e criamos um formulário online que divulgamos em redes sociais e através de nossos contatos pessoais.


Resultados da Pesquisa

Após encerrarmos a pesquisa para aceitação de respostas, conseguimos um número considerável de participações.

Para compilar todos os dados da pesquisa, utilizamos o Google Data Studio, que foi necessário para agrupar os resultados da pesquisa e também para criar gráficos que fossem mais simples de entender e visualizar.


Depois de analisarmos todos os dados da pesquisa, soubemos que rumo nosso trabalho teria que tomar. Várias suposições foram validadas e algumas não foram e isso nos ajudou a enxergar com mais clareza e priorizar os pontos principais.


Pesquisa Qualitativa

Uma dúvida que ainda ficou em nosso grupo foi:

Se 91% das vítimas conhecem pelo menos um dos meios de denúncia existentes, por que elas não denunciam?

Essa pergunta nos levou a aprofundarmos nossa pesquisa um pouco mais, para conseguirmos entender melhor as vítimas.


Resultados da Pesquisa

Com essa nova pesquisa, conseguimos entender as dores das vítimas bem como o motivo pelo qual elas não faziam a denuncia do agressor. Foi muito importante e esclarecedor para nós essa parte do processo, pois pudemos ver coisas que tínhamos deixado para trás, e o principal: o motivo das vítimas para não denunciarem o agressor.


Após compilar os dados da pesquisa qualitativa, conseguimos enxergar com mais clareza a realidade das vítimas de violência doméstica. Agora estávamos prontos para iniciar o nosso projeto de uma maneira mais precisa, pois sabíamos o que precisávamos priorizar. Alguns pontos validados foram:

  • Todas as vítimas possuem um celular próprio.

  • A maioria das vítimas não denunciaram o agressor.

  • O medo é o maior motivo pelo qual as vítimas não denunciam os agressores.

  • A maioria das vítimas conhecem pelo menos um dos meios de denuncia que existem.


Alternativas de Solução

Nesse ponto do projeto, já estávamos com muitas ideias prontas para serem projetadas. Porém, exigiria muito esforço projetar cada uma delas e fazer todos os testes necessários, para no final, ficarmos com apenas uma das soluções.

Utilizamos então a ferramenta Como Poderíamos (How Might We), transformando todas as possíveis oportunidades que encontramos em frases e ver o impacto que cada uma delas teria sobre o projeto. Depois, colocamos todas as frases em uma Matriz de Impacto X Esforço, levando em conta o nível de dificuldade de execução e viabilidade no projeto e também o impacto que teria sobre o resultado final.


Consideramos de alto impacto e baixo esforço as oportunidades que seriam possíveis de criar por nossa conta, sem ser necessário nenhuma ajuda externa, como por exemplo ‘conscientizar as mulheres sobre o que é violência doméstica’.

Já as oportunidades que necessitariam de ajuda externa, como órgãos do governo ou outros profissionais, consideramos como sendo de alto esforço, como por exemplo ‘criar uma rede de apoio para as vítimas’.

Percebemos também que não é apenas a denuncia que deve ser levada em conta, pois, muitas das mulheres que sofreram violência doméstica não sabiam de sua situação por não conhecerem todas as formas da violência doméstica, então isso também teria que ser considerado.

Definimos então, como prioridade, ajudar as vítimas a se sentirem seguras ao fazerem a denuncia do agressor e também conscientizá-las de todas as formas da violência doméstica, para que mais mulheres consigam identificar se passam por essas situações e tomar as providências o mais rápido possível.


Solução

A partir das soluções priorizadas, passamos então à fase de entendimento sobre formato, tecnologias envolvidas e funcionalidades.

Começamos então a elaboração dos rabiscoframes, protótipo de baixa fidelidade e testes com os usuários.



Style Guide



Protótipo

Após fazermos todo o style guide, começamos a construir o protótipo de alta fidelidade.

Você pode testar o protótipo clicando aqui!


Testes de Usabilidade

Finalizado o protótipo de alta fidelidade, fizemos os testes de usabilidade utilizando o Maze.

Com esses testes conseguimos gerar alguns insights e fazer melhorias no nosso aplicativo.

Alguns insights que tivemos:

1° A segunda tarefa do teste era abrir o menu de ‘Informações’ e clicar em ‘O que é violência doméstica?’, para saber os tipos de violência que existem.

Muitos usuários ficaram perdidos, pois não achavam o botão de ‘Informações’ ou achavam que ele se tratava de informações relacionadas a outras coisas e não a violência doméstica em si.


2° Boa parte dos usuários não sabia onde clicar para ir ao nosso quiz e descobrir se está ou não passando por violência doméstica.

Muitos usuários clicaram no botão certo de ‘Será que estou em perigo?’. Mas, 30% dos usuários acabaram clicando no botão de ‘Informações’.


Esses foram apenas alguns dos insights que tivemos para conseguirmos melhorar ainda mais nosso aplicativo.


Conclusão

Após esses 3 meses de trabalho, aprendizados e troca de conhecimentos, terminamos o curso com um projeto que acreditamos que pode fazer a diferença na vida de muitas mulheres e ajudá-las a encerrar esse ciclo de violência doméstica que elas podem estar passando.

Foi muito bom poder trabalhar em um projeto de âmbito social. Sei que ainda temos muito chão pela frente e que não é tão simples mudar a sociedade em que vivemos. Mas acredito de verdade, que esse aplicativo pode ser um pequeno passo para começar a mudar.

Agradeço de coração a você que chegou até o final do artigo, pois isso mostra que você também se importa com esse tema e tem o desejo de que tudo isso melhore algum dia. 🙏🙏


Obrigado por ler até aqui! 😊

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